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segunda-feira, maio 24, 2010

A AGONIA DE UM GOVERNANTE

É sempre doloroso assistir à patética agonia de um governante. É o que está a acontecer com a imagem de José Sócrates. Noutro registo, e noutra escala, faz-me lembrar o apodrecimento e a crescente esquizofrenia do “camarada” Vasco Gonçales, na altura mais quente do PREC, bem ilustradas naquele enlouquecido e famoso discurso de Almada, a poucos dias de Otelo lhe retirar o tapete e provocar a prazo a sua queda.
Vivendo já num universo psicológico de ficção, mergulhado nas trapalhadas, contradições, avanços e recuos do seu Governo, que parece já não controlar, José Sócrates não dispõe de condições psicológicas, políticas e de imagem pública que lhe permitam continuar como Primeiro-Ministro. Dá claros sinais de cansaço e de desorientação, entrando por vezes em cenas do mais deprimente ridículo, como aquela em que aparece a falar um portunhol hilariante num discurso e numa entrevista .
Creio por isso ter passado o seu tempo. A bem dele próprio, do PS e do País, tem de aceitar ser substituido, sem mais traumas e o mais serenamente que for possível, para evitar mais males maiores na imagem e na credibilidade de Portugal juntos dos putativos emprestadores de dinheiro, sem os quais não poderemos viver nos próximos tempos.
Num novo Governo, com o mesmo apoio parlamentar, poderia ser substituido pelo actual Ministro de Estado e das Finanças, que recomporia o Governo de acordo com as necessidades do tempo presente. No PS, José Sócrates poderia afastar-se por uns tempos do cargo de Secretário Geral, abrindo caminho para a sua substituição por alguém que tivesse uma imagem menos desgastada, psicológicamente mais sereno, e com algum estofo de governante, pelo menos, já não digo de estadista, pois seria pedir muito.Confesso também não saber muito bem por quem, de momento...

De resto, parece ser quase óbvio que , de facto, o Ministro de Estado Teixeira dos Santos, é quem agora é o chefe do Governo e define as orientações para este. No dia em que ameçasse sair ou saisse mesmo do Governo, este implodiria. Seria mais claro e bem melhor então que, de Primeiro-Ministro de facto passasse a ser também Primeiro-Ministro de jure.

Para além disso, Teixeira dos Santos está , como está o Governo, e como estão os portugueses, na inevitável obrigação de obedecer às grandes opções que lhes e nos ditarem o Presidente do BCE e a Chancelarina Merkel. É uma situação de ausência de soberania nacional, é bem verdade. Nela se coloca quem se deixa mergulhar nas mãos dos credores.

Duas notas finais .

1.
Convirá recordar qual era a escolha que se colocou aos portugueses nas eleições legislativas de 2005, para o quadriénio até ao Outono de 2009.
Ela era entre ter José Sócrates ou Santana Lopes como Primeiro Ministro. Alguém tem a veleidade de pensar que, se houvesse sido este último o eleito para governar, e conhecido o seu currículo de governante local e/ou nacional, o País estaria menos endividado no final de 2009, do que aquilo que realmente acabou por estar ?

2.
Em abono da verdade, tem de honestamente reconhecer-se que, em regime democrático, nunca antes de José Sócrates alguém fora Primeiro-Ministro enfrentando uma crise financeira e económica, de ambito global, tão grave e dramática como aquela da qual o mundo ainda não saiu.

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